O Impacto da Relação Terapêutica na Adesão à Medicação
Qualquer técnico de saúde mental deve aceitar que não basta o doente cumprir a medicação que é prescrita, por mais eficaz e adequada que seja. É importante que o tratamento integre componentes educacionais e psicossociais e em que a família seja também incluída.
O problema da não adesão ao tratamento dos doentes com perturbações mentais graves, e suas respectivas famílias, é uma realidade que não deve ser menosprezada. Pelo contrário, é necessário reunir esforços que permitam fazer frente a este fenómeno e responder eficazmente às necessidades desta população. Para esse efeito, e reconhecendo a importância da fase inicial do processo (envolvimento), importa que sejam considerados alguns requisitos.
Atendendo ao facto de, em algumas situações, a pessoa apresentar resistências sérias em submeter-se a um tratamento que desconhece, em relação ao qual existem mitos, e que não sabe quanto tempo vai durar, é crucial realçar a importância do primeiro contacto com o serviço e com o técnico. Isto porque, há uma ansiedade elevada em obter respostas rápidas e receitas milagrosas, capazes de resolver problemas e devolver a funcionalidade psíquica de outrora. Ora, se a qualidade da relação não sobressai, mais facilmente a pessoa desiste e perde a paciência de esperar. É fundamental levarmos a pessoa a demorar-se na vida, e isso constrói-se na relação.
Posto isto, depressa chegamos à conclusão da importância que representa a relação terapêutica. Este tipo de vínculo, leva a pessoa a uma abertura do seu campo de visão, para que possa perceber a sua vida sob novas perspectivas, analisar e entender melhor as suas características, potencialidades e limites, utilizando o conhecimento adquirido em benefício do seu crescimento pessoal.
De modo a esclarecer mitos e crenças associados à medicação psiquiátrica, tantas vezes impeditivos do cumprimento pleno, é importante que a relação terapêutica estabelecida com o técnico responsável possibilite a aquisição de conhecimentos acerca da medicação e de como esta pode contribuir para o processo de recuperação. Cabe ao profissional estimular a discussão sobre as vantagens e desvantagens da medicação e ajudar as pessoas a tomar uma decisão informada com base nas suas opções.
Neste contexto, e de modo a minimizar os níveis de não adesão à medicação, é importante:
• Fornecer informação adequada sobre a medicação para a doença mental incluindo as respectivas vantagens e desvantagens;
• Promover oportunidade das pessoas falarem abertamente acerca das suas crenças sobre a medicação e a sua experiência com os vários tratamentos;
• Ajudar as famílias a considerarem as vantagens e desvantagens de fazer medicação;
• Ajudar as pessoas doentes que decidiram fazer medicação a desenvolver estratégias para o fazerem de uma forma regular;
• Ajudar as famílias a compreenderem o ponto de vista do doente em relação a este tema, permitindo que cada elemento possa também aqui ter um contributo importante. Tal como acontece por parte da pessoa doente em relação à medicação, por vezes pode não ser fácil sensibilizar as famílias a aderirem, também elas, ao tratamento.
Para além do tratamento farmacológico existem outras abordagens que deverão ser integradas. Na minha qualidade de psicopedagoga, realço a pertinência que uma actuação psicoeducativa para pessoas doentes e suas famílias poderá ter na adesão à medicação e, consequentemente, na prevenção de recaídas.
Contacto
LISBOA
Clínica Gémeos
Avenida Conde Valbom, 82, 1º Dt.º
SETÚBAL
Consultório de Saúde Mental
Avenida 5 de Outubro, 47, 4º Dt.º
916 286 042
saudemental.consult@gmail.com