O estigma e a doença mental

16-01-2015 13:30

Ao longo da história várias tentativas têm sido feitas no sentido de compreender e explicar as doenças mentais.

As doenças mentais nunca foram, nem são ainda hoje, consideradas como outras doenças quaisquer. Os sentimentos que a loucura desperta são bem diferentes dos que desperta uma doença somática por grave que seja.

Constata-se que doença mental tem permanecido até hoje algo inexplicável, ou seja, não há uma causa que explique realmente esta doença tão estigmatizante.

Esta estigmatização origina com que a pessoa doente perca a sua cidadania, sofra preconceitos e que consequentemente se isole e afaste da sociedade.

Sabe-se que a família que se dedica e que cuida do familiar doente é obrigada a reorganizar-se devido às mudanças que lhe são impostas, aos gastos financeiros imprevistos e a todo o desgaste físico e emocional que envolve o cuidado ao doente.

Diante deste quotidiano complexo, as acções dirigidas às famílias de pessoas com doença mental devem estruturar-se, possibilitando com que o estigma não interfira com o primeiro passo que se necessita ser dado quando se verifica que algo não está bem: procurar ajuda.

É fundamental por isso realçar a necessidade de esclarecimentos junto da população sobre estas doenças, e respectivos tratamentos disponíveis, para que preconceitos e estigmas diminuam e quem está doente possa receber ajuda o mais precocemente possível.

O medo de receber respostas indesejáveis e a perda dos amigos cria uma barreira adicional às pessoas com doença mental, da qual resulta a necessidade de manterem em segredo a sua doença, aprendendo a não revelar os seus diagnósticos como estratégia de sobrevivência pessoal, e assim evitar respostas hostis por parte da comunidade. O estigma, ao desencorajar a revelação de uma perturbação psiquiátrica, de algum modo, perpetua-a e conduz os indivíduos para um estado de desconforto.

A doença mental torna-se a vergonha de alguém e os esforços para a manter em segredo, pode desencorajar a pessoa a procurar a ajuda adequada ao seu problema. Para além disto, o segredo afasta os indivíduos de suporte emocional e social e, como resultado, há uma restrição dos contactos e das redes interpessoais.

Os estereótipos, os preconceitos e a discriminação podem privar as pessoas com doenças mentais de terem acesso às oportunidades de vida, essenciais para alcançar os seus objectivos, principalmente os que se relacionam com a obtenção de um emprego competitivo e de uma vida independente e segura numa habitação própria, inibindo as pessoas de alcançar a sua recuperação (Jorge-Monteiro, F. e Madeira T., 2007).

No que depende do próprio sabe-se que reconhecer e aceitar a doença pode fazer toda a diferença, pois o tratamento é entendido como necessário e essencial para a melhoria da qualidade de vida do doente e da família.

Porém, como já explorei na crónica “não estou doente” o sucesso do tratamento está directamente relacionado ao modo como o doente compreende e integra a sua doença.

Neste sentido, são necessárias para além das intervenções realizadas junto de doentes e familiares/cuidadores, campanhas de sensibilização que envolvam a comunidade em geral e que procurem actuar numa perspectiva construtiva e pedagógica.

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