Não estou doente!
Atualmente, o número de pessoas com doença crónica que não adere ao tratamento, representa um problema grave de saúde pública e constitui-se como um desafio para os serviços e profissionais de saúde, em geral. Por esse motivo, considera-se essencial o desenvolvimento de intervenções de cariz psicoeducativo dirigidas às dificuldades dos doentes, capazes de promover o conhecimento, atuar nas crenças e nas atitudes, de forma a ajudar a reconhecer a necessidade do tratamento e, consequentemente, promover a qualidade de vida quer nos doentes quer nos seus familiares.
Os números atuais revelam um aumento crescente das doenças crónicas: cancro, diabetes, obesidade, doença cardíaca e perturbações mentais.
Com o impacto da doença crónica a aumentar, os modelos de prestação de cuidados pelos serviços de saúde, estão a ser desafiados a responder adequadamente às novas exigências de saúde da população e os países são cada vez mais orientados para identificar as mudanças necessárias para promover a prevenção e gestão de doenças crónicas como uma das principais prioridades estratégicas para a próxima década.
As consequências da não adesão são profundas e incluem resultados clínicos negativos e complicações, stress físico e emocional devido a sucessivos internamentos e as implicações onerosas de recursos de saúde.
Existem inúmeros e complexos fatores determinantes da não adesão. Entre eles incluem-se os efeitos secundários da medicação, a descrença em relação ao tratamento, falta de aconselhamento clínico e conhecimento por parte dos técnicos, relação terapêutica pobre entre doente-profissional de saúde, dificuldade de acesso ao tratamento, função cognitiva prejudicada, etc.
Embora os investigadores tenham reconhecido a importância da adesão como um problema de saúde pública, as evidências sugerem que não tem sido dada muita atenção para o desenvolvimento e avaliação de estratégias destinadas a melhorar a adesão dos doentes ao tratamento.
No caso das perturbações mentais graves (PMG), esse desafio estende-se ao doente, às famílias e também aos profissionais de saúde mental.
A relevância da adesão ao tratamento é indiscutível, pois dela depende o sucesso do tratamento proposto, a recuperação da pessoa e o controlo de uma doença crónica, como é o caso das doenças de foro psiquiátrico.
Além das consequências acima mencionadas, no caso das PMG, há de se considerar o aumento do número de recaídas, e consequentes complicações crónicas, e a redução da qualidade de vida que também representam altos custos individuais, sociais e económicos para o doente, a família, serviços de saúde e sociedade.
Neste sentido, os benefícios da adesão ao tratamento estendem-se aos doentes, às famílias, aos sistemas de saúde e à economia dos países. O doente passa a ter a sua condição controlada, podendo, na maioria das vezes, manter uma vida normal e economicamente ativa. A família pode dedicar-se a outras atividades e aliviar o seu papel de cuidadora. O sistema de saúde economiza com a redução de internamentos e a economia ganha com o aumento da produtividade.
Posto isto, é crucial o desenvolvimento de medidas interventivas junto dos doentes "não-aderentes", por exemplo, através de programas psicoeducativos dirigidos a doentes com doença crónica onde, através de uma abordagem pedagógica, se avaliam as crenças e se promove o conhecimento sobre a necessidade e os benefícios em aderir ao tratamento proposto.
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