Dor mental, dor que não se vê
A depressão é uma experiência muito comum, sendo mesmo considerada como um dos problemas mais graves de saúde pública e que mais sobrecarrega a nossa sociedade actual.
Os doentes com depressão estão sujeitos a níveis de sofrimento elevados, chegando frequentemente a referir que a dor mental é mais difícil de suportar que a dor física. Por outro lado, o estigma social que actualmente ainda afecta os portadores de doença mental é em si uma fonte de sofrimento para os próprios e respectivos familiares.
Esta doença interfere significativamente com a forma de sentir, pensar e agir. Clinicamente a depressão é caracterizada por um desagradável estado de incapacidade, marcado por uma tristeza prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis, diminuição da energia e cansaço fácil.
Estas características acabam por se reflectir no relacionamento interpessoal, nomeadamente na estrutura familiar, provocando muitas vezes situações de conflito e incompreensão.
Existem também consequências económicas, quer individuais quer ainda para a própria sociedade, uma vez que esta patologia pode causar uma grande incapacidade para o trabalho, conduzindo a um absentismo laboral habitualmente prolongado.
Contudo, a depressão tem as suas maiores consequências a nível individual, visto ser a causadora de um intenso sofrimento psíquico podendo mesmo levar ao desespero e ao suicídio.
É importante realçar que muitas vezes a tristeza é confundida com a depressão e, neste sentido, há que diferenciar a doença ‘depressão’ dos sentimentos de tristeza que a maioria das pessoas enfrentam ao longo das suas vidas, sobretudo após experiências ou situações que as afectam de forma negativa.
Assim, a presença de sintomas depressivos (incluindo a tristeza) passa a ser enquadrada no âmbito de uma doença a partir do momento em que estes interferem significativamente com a vida do indivíduo, nomeadamente na actividade profissional, no rendimento intelectual ou nas relações interpessoais, conduzindo a um isolamento social progressivo.
A persistência de sintomas como a perda de apetite, perturbações do sono, fadiga, desinteresse, perda de concentração, alteração do desejo sexual, dificuldade em tomar decisões, irritabilidade, etc., poderá ser um indicador de que algo não vai bem. Perante essa manutenção é importante que a pessoa procure ajuda especializada o mais precocemente possível, para que se possa definir um plano de tratamento adequado às suas necessidades.
Atendendo aos aspectos que foram aqui explorados há a realçar a importância que o próprio pode e deve representar no prognóstico da patologia uma vez que, devidamente informado sobre os tratamentos disponíveis bem como sobre os sintomas e curso da doença poderá ser um elemento activo ao longo do seu processo de recuperação.
Estima-se que pelo menos 20% dos casos de depressão podem tornar-se uma doença crónica. Estes casos devem-se fundamentalmente à falta de tratamento adequado.
Determinar qual o factor ou os factores que desencadeiam a crise depressiva pode ser importante, pois para a pessoa doente poderá ser vantajoso aprender a evitar ou a lidar com esses factores durante o seu processo de recuperação. Para além do tratamento farmacológico é igualmente importante que ocorra uma combinação entre intervenções psicoterapêuticas e/ou psicoeducativas.
Porém a realidade é a de que, não raras vezes, as pessoas evitam procurar ajuda especializada pelos mais diversos motivos (ou porque julgam ser capazes de ultrapassar o problema sozinhas, ou com receio em ficar dependentes da medicação, ou pelo estigma ainda existente associado às doenças de foro psiquiátrico). Estes preconceitos, infelizmente, impossibilitam com que as pessoas possam levar vidas mais satisfatórias e produtivas.
Pretende-se com esta sensibilização auxiliar a sociedade actual na desmistificação dos preconceitos associados à doença mental, procurando de igual forma fomentar a tomada de decisão individual relativamente à procura de ajuda, com o objectivo de possibilitar um aumento da qualidade de vida da população.
Em Portugal a dimensão dos problemas associados à depressão é largamente desconhecida ocorrendo igualmente uma efectiva escassez de investigação em saúde mental e epidemiologia psiquiátrica, comparativamente a outros países.
Os números relativos à prevalência da depressão no distrito de Setúbal são, em consequência da ausência de estudos epidemiológicos, desconhecidos.
Uma coisa é certa, a crise económica pela qual estamos a passar vai certamente ter um impacto a nível dos problemas de saúde mental, que têm uma tendência a aumentar nas épocas de maior vulnerabilidade social.
É por isso fundamental estar-se atento de modo a criar respostas favoráveis que permitam aos serviços ir ao encontro das reais necessidades das pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde a melhor forma de se alcançar este objectivo é melhorando a acessibilidade aos serviços, oferecendo mais cuidados de tipo ambulatório e aumentando a articulação dos serviços especializados com os cuidados de saúde primários.
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